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Entrevista com o fundador

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HISTORIA E TECNOLOGIA

O segmento madeireiro do Brasil passou por grande desenvolvimento nas últimas décadas. Homens com máquinas mais modernas, serrarias desperdiçando o mínimo de matéria prima, aumento no cuidado com o meio ambiente, além da preocupação com o plantio, foram algumas das mudanças mais palpáveis. Um dos responsáveis por parte desse desenvolvimento não é nascido no Brasil, mas sente-se brasileiro nato. Stefan Koller, da Indumec Indústria Mecânica Ltda, dedicou-se exclusivamente à construção de 900 de máquinas para o beneficiamento de madeira. Logo apos o término da Segunda Guerra Mundial, na década de 50, Koller, acompanhado pela mãe, aportou em Paranaguá (PR). Antes disso, o jovem havia cursado a escola técnica de mecânica na Áustria, onde aprendeu a trabalhar com máquinas e motores. Tentando esquecer os horrores da guerra, que acabou sacrificandoseu pai em um dos sangrentos combates da época, iniciou a vida profissional no Brasil em Irati (PR). Após terminar o curso de contabilidade, mudou-se para Curitiba,onde vive até hoje.

O misto de empresário, vendedor e principalmente técnico, já que no início era ele quem desenhava e projetava as máquinas, ainda acompanha os rumos da Indumec. A empresa está entre as mais importantes na elaboração e construção de máquinas para fabricação de compensado. O segredo de Koller para atingir este patamar é simples: acompanhar os avanços tecnológicos e jamais deixar de lado a busca constantepor melhoria no desempenho,associado a baixo custo. Como afirma Koller, “é difícil vender a primeira máquina, mas muito mais difícil é vender a segundaou a terceira para o mesmo cliente”.

Atualmente, a empresa é dirigida pelos filhos Ane Marie Eduardo. Entretanto, nada é decidido sem o consentimento do patriarca, que transformou a produção artesanal da empresa. No inicio, a Indumec contava com 12 funcionários. Atualmente possui mais de 100 trabalhadores em uma sede de 12 mil metros quadrados de área construída. Em entrevista à Revista REFERÉNCIA do Setor Madeireiro, Stefan conta desde suas memórias dasegunda guerra, até o orgulho de se considerar um vencedor.

Como veio parar no Brasil?

Stefan: Eu tinha 17 anos quando vim para o Brasil, em 1951. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, nós moramos sete anos na Áustria. De lá organizaram um grupo grande de 500 famílias e nos trouxeram aqui para o Paraná. Fomos parar em Guarapuava e de lá fui para Irati para trabalhar com mecânica. Só vim com a minha mãe. Meu pai faleceu na guerra, lutando como soldado. Tinha nove anos e na época foi um período horrível. Tínhamos que nos esconder, fugindo dos bombardeios dos aviões. Lembro-me bem ainda, onde as bombas caiam, abria-se um enorme buraco. Casas inteiras de repente sumiam. Muita gente me pergunta se voltei para minha cidade natal depois de tudo. Tenho boas e más lembranças da infância. Já estive a 200 quilômetros de lá, mas não tive vontade de voltar.

Como foi o início no Brasil?

Stefan: Viemos de navio. Foi demorado. Aproximadamente três semanas, mas foi tudo bem. Chegamos em Paranaguá e de lá fomos de trem até perto de Guarapuava. No começo foi muito difícil, a gente não falava nada de português. Fomos aprendendo devagar e com um ano e meio de Brasil, matriculei-me no ginásio. Consegui entrar em cursos preparatórios, ou de admissão como era chamado. No ano de 1961, depois que terminei contabilidade em Irati, queria fazer faculdade de engenharia e precisava vir para Curitiba. Procurei um emprego na Omeco, mas infelizmente não deu pra fazer engenharia. Não era possível estudar de dia, de noite e trabalhar ao mesmo tempo. Mas me orgulho pelo meu filho que fez engenharia.

Qual foi o primeiro trabalho no Brasil?

Stefan: Logo que fui para Guarapuava, trabalhei em uma oficina mecânica, porque lá na Áustria eu trabalhei em fábricas como aprendiz de mecânica. Em Irati já trabalhava com máquinas, fazia a serra fita e o torno. Em Curitiba, trabalhei nove anos na Omeco. Naquele tempo, eles já haviam começado a fazer máquinas para fábrica de compensado.

Como era a situação na época para o desenvolvimento dessa atividade?

Stefan: Foi bastante lento. Ninguém quase conhecia o compensado quando foram fabricadas as primeiras prensas. A diferença é grande para as primeiras prensas para as de hoje. A novatecnologia aumentou bastante a produção, mas naquele tempo era novidade.

Para a maioria das pessoas, máquinas de beneficiamento de madeira são apenas instrumentos que aproveitam matéria prima. Qual o significado que essas máquinas têm para o senhor?

Stefan: Olho para uma máquina dessa com certo amor, porque a gente ajudou a criar. Ela fala bastante para o nosso sentimento. Tem uma importância muito grande.

Como começou na lndumec?

Stefan: Fui convidado por um amigo que já era sócio da Indumec. Os fundadores faleceram e ele ficou sozinho. Então procurou sócios para continuar o trabalho. Meu ex-patrão entrou também, e mais três funcionários. Depois de um ano e meio, comprei a parte deles. Quanto entrei na Indumec ela estava estabelecida no bairro Alto da XV, em Curitiba, nos fundos do sobrado em uma garagem. A empresa tinha apenas 12 funcionários. A fábrica nova foi para o bairro da Vila Fani e agora está instalada na Cidade Industrial, com nova fábrica. Ela tem 12 mil metros quadrados de construção e por volta de 100 funcionários. Hoje, ela realmente é uma empresa respeitada. Nosso segredo foi trabalho, honestidade, e principalmente a qualidade do equipamento. É difícil vender a primeira vez, mas é muito mais difícil vender a segunda e a terceira. Se não tiver qualidade não adianta.

Durante os mais de 50 anos de Indumec como avalia o comportamento do mercado madeireiro?

Stefan: O setor madeireiro sempre esteve e vai continuar com altos e baixos, influenciando muito a fabricação das máquinas. Quanto está bom, compra-se até demais, e quando está ruim, tudo para. Então temos também, para nós que vendemos as máquinas, altos e baixos. Geralmente se passam dois anos bons e um ruim. Não é por isso que vamos desanimar. O mercado tem variações, mas se recupera rápido.

Qual suas obrigações na empresa nos dias de hoje?

Stefan: Há algum tempo estou deixando nas mãos dos filhos. Agora estou apenas ajudando quando precisam. Estou quase todos os dias na empresa. Agora não mais tão cedo quanto antes e não fico até tão tarde. Considero-me um vencedor, senão a Indumec não estaria onde está. Sou um pouco de tudo, empresário, vendedor e técnico. As primeiras máquinas, eu que projetei. Hoje já tem outros engenheiros projetando, mas as primeiras eu desenvolvi tecnologia nova.

Quando a Indumec surgiu, a competitividade era menor?

Stefan: A Indumec acompanhou o desenvolvimento das outras indústrias e nunca deixou de inovar os seus equipamentos. Sempre desenvolvemos novas máquinas. Procuramos olhar o que é feito na Europa e Estados Unidos, e a gente tenta fazer algo parecido, com o custo menor e a produção boa comparada com as máquinas de maior custo.

O que o Brasil se tornou para o senhor?

Stefan: Para mim, o Brasil não é apenas uma segunda pátria. Na verdade é a única que tenho. Na Croácia os descendentes alemães eram expulsos e não tinham nem como pensar em voltar. A Áustria é um país muito pequeno e estava tudo pronto, não havia nada para ser desenvolvido. Mais de 60 anos, que moro no Brasil e a Áustria está tudo igual, como naquela vez que deixei o país. Aqui no Brasil tudo cresceu e desenvolveu. O povo é amável e fomos bem recebidos. Sinto-me em casa aqui e não na Europa.

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